segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Devoção Mariana

Neste mês dedicado à Nossa Senhora, convém-nos meditar um pouco sobre a sua figura inserida da nossa fé. O papel de Maria dentro da história da religião cristã é de fundamental importância pois Maria favoreceu a concretização da Vontade do Pai na realização de seus desígnios que visam expressar (re-velar) o seu amor (algo que lhe é essencial – pois “Deus é Amor” – segundo São João (1 Jo 4, 8.16)) para com cada pessoa humana que é chamada, a partir de seus carismas próprios, a formar comunhão com os demais que também abraçam a fé nesse Deus que nos ama incansavelmente. Nossa Senhora, por sua vez, foi a primeira a experimentar esse amor, por isso ela é “bendita entre as mulheres” e, também por causa disso, nós temos um carinho especial para com ela. Esse “carinho” culturalmente nós chamamos de “devoção”.

Ser devoto de Maria, portanto, é buscar espelhar-se nela, tendo-a como “referência” na vivência da fé. Digamos bem “referência” pois a “meta” mesmo é Jesus Cristo. Ela é alguém que pode nos ajudar a chegar a seu Filho (cf. Jo 2, 1-11). O nosso erro pode estar em termos Maria como o alvo de nossa fé e nisso esquecemos de Jesus, o Cristo Salvador que deve ser nosso único paradigma. Aliás, o Papa Paulo VI no ano de 1974, em seu escrito onde trata do culto à Maria (Marialis cultus), salienta que “... em Maria, tudo se refere a Cristo” (n. 51). Por isso a nossa devoção mariana deve nos conduzir a Jesus, nosso Redentor que também é o modelo para nossa ação quotidiana de cristãs e cristãos que veneram, ou seja, que respeitam e reconhecem o valor de Nossa Senhora para a autêntica vivência da fé.

Conforme o Papa João Paulo II, (em uma de suas audiências diante da imagem de Nossa Senhora quando proclama o “ano do Rosário” – 16 de outubro de 2002) o centro da nossa fé é Cristo, Redentor do homem. Maria, por sua vez, não o obscurece, nem obscurece a sua obra salvífica. Ela, sendo assunta ao céu em corpo e alma, foi a primeira a beneficiar dos frutos da paixão e da ressurreição do próprio Filho, por isso, diz ele, Nossa Senhora “é aquela que da maneira mais certa nos conduz a Cristo, o fim derradeiro do nosso agir e de toda a nossa existência”.

O Rosário é uma oração que expressa a devoção à Maria. Ele é o meio mais eficaz, segundo o agora Servo de Deus, João Paulo II, para a contemplação do rosto de Cristo, por isso “devemos redescobrir a profundidade mística na simplicidade desta oração, tão querida à tradição popular” já que essa oração mariana na sua estrutura é, de fato, sobretudo meditação dos mistérios da vida e da obra de Cristo pois ao repetir a invocação da "Ave Maria", podemos aprofundar os acontecimentos fundamentais da missão do Filho de Deus na terra. Aqui então vai um lembrete: o Rosário, por mais que possa sustentar nossa devoção mariana, é uma oração cristológica tendo em vista que meditamos os mistérios de Cristo a partir de Nossa Senhora.

Desse modo, a nossa devoção mariana nunca deve parar nela mesma, ela deve nos impulsionar a sermos semelhantes à Maria, a Nossa Senhora da Piedade, padroeira de nossa Paróquia, para também como ela nos tornarmos “escravos do Senhor” proporcionando que a Vontade do Pai seja realizada em nós e que seu projeto salvífico passe por nós, particularmente pelo nosso testemunho. Salve Maria!

Autor: Diácono Diclei Manoel da Silva - Diocese de Itapeva
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