segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

É Natal - E daí?

“Então é Natal, e o que você fez; o ano termina e nasce outra vez...”. Essa é parte de uma música cantada brilhantemente por grandes nomes de nossa Música como Ivan Lins, Gilberto Gil e Simone. Parece até uma contradição, mas partimos de uma idéia “mundana” como a busca de uma revisão de vida visando nosso progresso para afirmarmos uma certeza “divina”. É verdade, devemos perceber o divino no humano. O Natal acontece uma vez mais, um novo ano está para começar, mas o que nós fizemos no ano que está para terminar? Você já parou pra pensar que muitos passos você deu entre um Natal e outro em sua vida, como entre o Natal de 2007 e o desse ano? Até que ponto você pode ser considerada a mesma pessoa? Você já averiguou o seu progresso ou o seu regresso? No Natal, essa revisão de vida deve ser fundamentada no aprendizado do presépio (Lc 2,16) e na atitude amorosa de Deus (Jo 3,16).

Na realidade, o Natal é uma festa única sim, mas a cada ano, somos chamados a celebrá-lo de um modo novo, reconhecendo que naturalmente evoluímos ou, pela nossa fraqueza, decaímos em alguns aspectos; contudo, o mais importante é percebermos que “Natal” não é sinônimo de “consumismo” mas sim de “renovação”. Quem, entre um Natal e outro, busca ser fiel a Deus, tem uma forte tendência de ter um Natal melhor, mais autêntico em seu verdadeiro sentido. Por isso, o Natal é tempo de revisão de vida e de percepção de que não é tarde para aprimorarmo-nos; nós podemos recomeçar sempre, e quando é com Deus (já que Ele está conosco - Mt 1,23b) é melhor ainda. O Natal, portanto, é uma festa sim, mas de uma conotação essencialmente espiritual e hoje, devido os pecados da pós-modernidade, é caracterizado, sobretudo pelo aspecto material: “se eu não tiver uma boa ceia, meu Natal não será bom”.

Agora, podemos nos questionar e tentarmos responder a uma questão: quais são os princípios subentendidos por nós para afirmarmos se uma ceia é boa ou não? Antes de continuar a leitura, você pode meditar e dar uma resposta. Na realidade, nossa resposta pode enveredar-se pelo seguinte caminho: ter algo de alguma marca famosa, conforme diz as propagandas dos meios de comunicação; ter as mesmas coisas que as pessoas de melhor condição sócio-econômico-moral etc. Se nossa resposta também teve alguma coincidência com essas idéias, temos que saber de uma verdade: não estamos sendo totalmente livres, mas “enjaulados” por uma ideologia que sustenta, sobretudo nos nossos dias, o consumismo. Isso tudo é importante sim, mas não é essencial para afirmarmos se nosso Natal é bom ou não.

Nosso ideal religioso, que nos traz o verdadeiro sentido do Natal, pode também ser considerado uma ideologia, todavia essa já existe há aproximadamente 2 mil anos, não sendo algo apenas dos tempos de hoje, é sustentado por todos os que valorizam a Encarnação do Filho de Deus. Dependendo de nossa consciência, se não tomarmos cuidado, o nosso Natal não é o de Jesus Cristo, mas o das grandes empresas do nosso tempo. Devemos aproveitar a festa do Natal sim, mas como bons cristãos, devemos saber distinguir o “essencial” do “relativo”, isto é, o que de fato caracteriza o Natal e o que nos vêm por acréscimo.

O Essencial para nós, nessa época, (segundo a nossa fé), é o Menino Jesus - Deus feito homem e sua presença entre nós; a nossa confraternização, o amor entre nós e a troca de presentes, por exemplo, já deve ser fruto dessa alegria primeira, pois somente assim vamos viver um bom Natal; fazer as melhores coisas e começar um ano novo com os verdadeiros valores que vêm-nos de Jesus, o sumo bem que deve ser o protótipo de todo ser humano. Com Ele, também podemos dizer, continuando a canção que mencionamos no início: “... então bom Natal e um ano novo também, que seja feliz quem, souber o que é o bem...”.

Autor: Sem. Diclei Manoel da Silva
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