quarta-feira, 9 de março de 2011

Guardai-vos dos falsos profetas

Conta a História, que certa vez Napoleão Bonaparte respondeu a um dos seus soldados, que lhe sugeriu criar uma religião: “Meu filho, para alguém fundar uma religião é preciso duas coisas: primeiro, morrer numa cruz; segundo, ressuscitar. A primeira eu não quero; a segunda eu não posso”.

Desde que o trigo do Evangelho foi semeado no chão da humanidade por nosso divino Redentor, o maligno se apressou em espalhar o joio das falsas doutrinas e das falsas religiões, para afastar o povo da verdadeira Redenção. Só Jesus pode estabelecer uma Religião e instituir uma Igreja, pois só Ele é o único homem que também é Deus. Uma Pessoa divina trazendo em si duas naturezas perfeitamente harmoniosas: a humana e a divina. Ele provou isto por seus inúmeros milagres, especialmente a Ressurreição. Quem o pode igualar?

Fico impressionado ao ver um simples mortal ousar fundar uma religião e uma igreja. Parece-me até brincadeira. Com que autoridade? Com que direito? Só mesmo a soberba humana pode explicar essa ousadia. Só mesmo o orgulho exacerbado de um pretenso “iluminado” pode levá-lo a tal ousadia. No bojo dessa insensatez sempre encontramos a triste realidade de um homem, na maioria das vezes, revoltado, problemático, eivado de iluminismo, exibicionismo, proselitismo, às vezes charlatanismo… ou um “profeta iluminado” que interpreta a Bíblia a seu bel prazer.

Só Jesus tem o poder e a autoridade de fundar A Religião e A Igreja. E Ele estabeleceu neste mundo “a Sua Igreja” ; e não deu autorização para ninguém fundar outra. É o caso de se perguntar: Será que algum desses pretensos “iluminados” provou que era Deus, fez grandes milagres, e morreu pelos seus discípulos numa cruz? Consta que algum deles ressuscitou? Consta que algum deles provou a sua divindade? Será que João Calvino, João Knox, John Smith, John Weley, Joseph Smith, Charles Ruzzel, Charles Parham, Lutero, Reverendo Moon, Edir Macedo… provaram a sua divindade? Nada consta. Será que os Srs. Confúcio, Lao Tsé, Massaharu Taniguchi, Meishu Sama, David Brandt, Helena Blavastky, etc, etc, etc, podem ser comparados com Jesus Cristo?… Ele tem autoridade para dizer: “Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). “Antes que Abrãao existisse, Eu Sou “ (Jo 8,58). “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. (Jo14,6)

Como dói ver milhões e milhões enganados, abdicando a Luz para viver nas trevas do erro. Ele já nos tinha avisado, desde o início, no Sermão da Montanha: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7,15). Jesus chama a atenção dos discípulos para o fato dos falsos profetas se apresentarem “disfarçados” de ovelhas. Essa é a grande arma dos enganadores. São Pedro também falou aos primeiros cristãos do perigo das “seitas perniciosas” e falsos profetas: “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme” (2Pe 2,1-3).

Santo Agostinho nos ensina que os pregadores de heresias são dotados de inteligência privilegiada: “Não penses que as heresias são fruto de mentes obtusas. É necessário uma mente brilhante para conceber e gerar uma heresia. Quanto maior o brilho da mente, maiores as suas aberrações”. A história das heresias na vida da Igreja confirma o quanto S. Agostinho tem razão. Os hereges sempre foram “brilhantes” ao defender os seus erros, e por isso lograram grande êxito muitas vezes.

É diante dos falsos profetas e de seus embustes que Deus prova a fé do seu povo. Sempre houve e sempre haverá falsos profetas no meio do povo. O profeta Jeremias alertava Israel: “Entre os profetas samaritanos vi absurdos: profetizaram em nome de Baal e desencaminharam meu povo de Israel. Mas, entre os profetas de Jerusalém vejo coisas hediondas: adultério e hipocrisia. Encorajam os maus, para que nenhum se converta da maldade. A meus olhos são todos iguais a Sodoma e seus congêneres semelhantes a Gomorra. Por isso, eis o oráculo do Senhor dos exércitos, contra os profetas: vou nutri-los com absinto, e dar-lhes de beber águas contaminadas. Porquanto, é pela atitude dos profetas de Jerusalém que a impiedade invadiu a terra. Eis o que diz o Senhor dos exércitos: não escuteis os profetas que vos transmitem vãos oráculos; são visões do próprio espírito que vos divulgam, e não as palavras do Senhor… (Jer 23, 13-28)

Algo interessante que a Bíblia nos revela é que também os falsos profetas são capazes de fazer prodígios, com falsidades ou com o auxílio do mundo das trevas: “Mas a fera foi presa, e com ela o falso profeta, que realizava prodígios sob o seu controle, com os quais seduzira aqueles que tinham recebido o sinal da fera e se tinham prostrado diante de sua imagem” (Ap 19,20).

Quando Jesus fala da última provação que a Igreja terá de enfrentar, antes de sua volta, nos alerta: “Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos. Eis que estais prevenidos. Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele em casa, não o creiais.” (Mt 24, 24-25)

Não devemos, portanto, ficar surpresos de que as “maravilhas” aconteçam também onde impera a mentira e a impiedade. São Paulo, ao falar dessas mesmas realidades aos tessalonicenses, os prevenia: “A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro.Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal.” (2Tes 2,9-11). As Cartas de S. Paulo, S. Pedro e S. João nos mostram o cuidado dos Apóstolos em preservar a “sã doutrina” (1 Tm 1,10). Paulo fala do perigo das “doutrinas estranhas” (1 Tm 1,3); dos “falsos doutores” (1 Tm 4, 1-2); e recomenda a S.Timóteo: “guarda o depósito” (1 Tm 6,20).

São Paulo alertou a S. Timóteo, o seu bispo primeiro, de Éfeso, sobre essa ousadia dos “iluminados”: “O Espírito diz expressamente que nos tempos vindouros, alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas diabólicas“ (1 Tim 4,1). “Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas?” (2 Tim 4,2-4).

É o que vemos hoje: “falsos profetas”, “doutrinas diabólicas”, “multidão de mestres”, milhares de “fábulas”… povo enganado.São João, já no início do cristianismo alertava para o perigo das falsas doutrinas e falsos profetas: “Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo.” (1Jo 4,1-3).

Autor: Prof. Felipe Aquino
Fonte: www.cleofas.com.br
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