sexta-feira, 11 de março de 2011

Heresias e erros teológicos do Hino da Campanha da Fraternidade 2011

Antes de mais nada, quero esclarecer que, neste texto, irei abordar somente as questões teológicas e doutrinárias, temas como a "destruição (ou não) da Terra" compete à ciência e, assim como uma campanha religiosa (como a CF diz ser) não deve se intrometer nestes assuntos, também não vou tocar nestes pontos.

Também gostaria de esclarecer que, para justificar os erros, não irei usar de opiniões pessoais, mas sim de dogmas e doutrinas da Igreja, portanto, aqueles que quiserem criticar ou afirmar o contrário do que estou dizendo, peço que faça o mesmo, evitem "achismos" ou supostas teorias sem embasamento teológico.

Comentarei abaixo de cada estrofe, com a letra do "hino" em azul e o comentário em letra escura:


HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

1. Olha, meu povo, este planeta terra: 
Das criaturas todas, a mais linda!
Eu a plasmei com todo amor materno,
Pra ser um berço de aconchego e vida. (Gn 1)

A segunda frase afirma que o "planeta terra" é a mais bela criatura, contrariando o que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

342 A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos "seis dias", que vai do menos perfeito ao mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas, cuida de cada uma, até mesmo dos pássaros. Apesar disso, Jesus diz: "Vós valeis mais do que muitos pardais" (Lc 12,7), ou ainda: "Um homem vale muito mais do que uma ovelha" (Mt 12,12)
§1951 Apenas o homem, entre todos os seres vivos, pode gloriar-se de ter sido digno de receber de Deus uma lei. Animal dotado de razão, capaz de entendimento e discernimento, regulará sua conduta dispondo de liberdade e de razão, na submissão àquele que tudo lhe confiou."

As Sagradas Escrituras também são claras em mostrar que a mais perfeita criatura criada por Deus foi o homem, o único a quem Deus fez sua imagem e semelhança:

"Então Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra." "(Gen 1,26)

Ainda, para concluir melhor a importância do homem e deixar claro se tratar de uma heresia essa afirmação constante no Hino da Campanha da Fraternidade, coloco abaixo mais um trecho do Catecismo da Igreja Católica:


"§343 O homem é a obra-prima do obra do criação. A narração bíblica exprime isto distinguindo nitidamente a criação do homem da criação das outras criaturas.
§355 "Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou" (Gn 1,27). O homem ocupa um lugar único na criação: ele é "a imagem de Deus" (I); em sua própria natureza une o mundo espiritual e o mundo material (II); é criado "homem e mulher" (III); Deus o estabeleceu em sua amizade (IV). "


Nossa mãe terra, Senhor,
Geme de dor noite e dia.
Será de parto essa dor?
Ou simplesmente agonia?!
Vai depender só de nós!
Vai depender só de nós!

Se cremos (e cremos) que Deus é o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis (Conf Credo Niceno Constantinopolitano), também cremos que ele é o Senhor de todas as coisas, e dessa forma, sabemos com toda a certeza que não podemos sequer fazer um cabelo de nossas cabeças tornar-se branco ou negro (Conf. Mt 5,35).

O Catecismo de São Pio X é claro em explicar que nada se sucede no mundo sem que Deus queira ou permite (Conf º 31).

Dessa forma trata-se de mais um grave erro da letra deste hino afirmar que "vai depender só de nós!".

Em seu livro Dogma e Anúncio, o teólogo Ratzinger (hoje, papa Bento XVI), afirma claramente que este tipo de pensamento, que concede ao homem toda a responsabilidade pelas mudanças que possam ocorrer, tem claramente uma índole marxista (portanto anti-cristãs)(Conf pág 287), como já percebemos em muitas outras "Campanhas da Fraternidade" de cunho marxistas que foram promovidas também em anos anteriores, promovidas e propagadas por teólogos adeptos da Teologia da Libertação.


A terra é mãe, é criatura viva;
Também respira, se alimenta e sofre.
É de respeito que ela mais precisa!
Sem teu cuidado ela agoniza e morre.


Vê, nesta terra, os teus irmãos. São tantos...
Que a fome mata e a miséria humilha.
Eu sonho ver um mundo mais humano,
Sem tanto lucro e muito mais partilha!



Aqui, além de ser uma estrofe que em nada condiz ao lema ou ao tema da campanha , mostra-se claramente uma oposição óbvia ao capitalismo, disfarçado de "mensagem bonita", como sempre fazem os Teólogos da Libertação.

Vale lembrar que a Igreja condena claramente o comunismo e o socialismo (Conf Catecismo da Igreja Católica, nº 2425), sendo assim esse "mundo de partilha" (entenda-se governo socialista) obviamente não pode ser defendido por um cristão.

Obviamente que a Igreja é contra o lucro desordenado e toda forma de opressão que possa surgir no sistema capitalista (Conf Catecismo da Igreja Católica, nº 2424), mas o capitalismo em si é neutro, podendo ser benéfico ao ser humano e aceitável pelos católicos, contrariamente ao socialismo ou ao comunismo, cuja condenação já foi feita por diversas vezes por diversos papas e santos católicos.

Olha as florestas: pulmão verde e forte!
Sente esse ar que te entreguei tão puro...
Agora, gases disseminam morte;
O aquecimento queima o teu futuro.



Aqui, além da ignorância em querer aceitar que a terra está esfriando, como mostram diversos estudos sérios feitos recentemente, convém lembrar que "aquecimento global" não é alçada da Igreja, ou seja, não é nenhum papa ou bispo que vai dizer se o planeta está ou não aquecendo, isso compete à ciência (que por mera coincidência, mostra que a afirmativa é falsa)

Contempla os rios que agonizam tristes.
Não te incomoda poluir assim?!
Vê: tanta espécie já não mais existe!
Por mais cuidado implora esse jardim!


A humanidade anseia nova terra. (2Pd 3,13)
De dores geme toda a criação. (Rm 8,22)
Transforma em Páscoa as dores dessa espera,
Quero essa terra em plena gestação!



Sobre essa parte do "hino", citando a passagem de 2 Pd 3,13, convém relembrar que Pedro se refere à vida eterna, ou seja, essa "nova terra" que a humanidade espera, só será alcançada na Igreja, quando chegar a plenitude dos tempos e vier a restauração de todas as coisas (Conf DS 4168)

Sobre isso, convém também lembrar o que nos ensino o Concílio Vaticano II, através da Constituição Gaudim et Spes (grifos meus):


A nova terra e o novo céu (conf 2 Pd 3,13)

"39. Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude , e também não sabemos que transformação sofrerá o universo. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reina a justiça  e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens . Então, vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitarão em Cristo e aquilo que foi semeado na fraqueza e corrupção, revestir-se-á de incorruptibilidade ; permanecendo a caridade e as suas obras , todas as criaturas que Deus criou para o homem serão libertadas da escravidão da vaidade .

É certo que é-nos lembrado que de nada serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se a si mesmo se vem a perder . A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes activar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra, onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao reino de Deus .
Todos estes valores da dignidade humana, da comunhão fraterna e da liberdade, fruto da natureza e do nosso trabalho, depois de os termos difundido na terra, no Espírito do Senhor e segundo o seu mandamento, voltaremos de novo a encontrá-los, mas então purificados de qualquer mancha, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal: «reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz» . Sobre a terra, o reino já está misteriosamente presente; quando o Senhor vier, atingirá a perfeição."


Para concluir, percebe-se claramente que o texto todo desta música tem claramente um erro gravíssimo que é colocar o centro de toda a vida cristã na ecologia, não que a ecologia não seja importante e deva ser preocupação do cristão mas O CENTRO DA NOSSA FÉ É CRISTO e não a ecologia, portanto. Quanto a isso, acho que cabe bem as palavras usadas na crítica do jornal vaticano L' Obsservatore Romano feitas ao filme Avatar: "inunda-se de um espiritualismo ligado ao culto da natureza que pisca o olho a uma das tantas modas do tempo."


Para nós, cristãos católicos, a ecologia é importante, o pão é importante, a liberdade também, mas o mais importante de tudo é a adoração a Deus, quando essa ordem é invertida, há um erro teológico grave que deve ser denunciado por todos que tem consciência da Verdadeira religião.

Autor: Everton do N. Siqueira
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