terça-feira, 1 de março de 2011

Porque Deus criou esta "Maldita Árvore"?

Em uma conversa sobre filosofia, religião, uma pessoa me questionou o motivo pela qual Deus colocou a “maldita” árvore no Jardim do Éden. Depois de “reestudar”, senti-me no dever de escrever, já que esta também já foi uma dúvida minha antes da minha conversão.

Outra nota que desejo fazer antes de entrar neste assunto seria sobre a palavra “maldita”, que uso no título somente como uma figura de linguagem, pois Deus não cria nada maldito!

No catecismo Romano da Igreja Católica está assim escrita: “Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu na sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade como livre submissão a Deus. É o que exprime a proibição, feita ao homem, de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois no dia em que dela comeres, morrerás (Gen 2,17). A árvore do conhecimento do bem e do mal (Gen 2, 17) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, enquanto criatura, deve livremente reconhecer e respeitar com confiança. O homem depende do Criador, está submetido Às leis da criação e às normas morais que regem o uso da liberdade” (n. 396).

Mais claro que isso só a visão beatífica.

Imaginem... E é exatamente o que Adão e Eva tinham! Eles viviam numa justiça original, tinham uma vida sobrenatural e como conseqüência disso eles tinham a participação da própria vida divina. Além disso, possuíam dons “preternaturais,” o que lhes conferia um dom que não pertence por direito à natureza humana. É a mesma coisa que imaginar um gato com asas voando! Estes dons incluem uma sabedoria superior, um conhecimento claro de Deus e do mundo. Vontade, inteligência e sensibilidade eram extremamente ordenadas, o que não lhe conferiam a dúvida acerca dos conhecimentos de Deus e do que era natural e certo. Diferentemente de nós que, quando decidimos acordar cedo, muitas vezes jogamos o despertador no chão e dormimos mais 1 hora, ou mesmo quando estamos de regime não conseguimos nos controlar diante um belo pedaço de bolo de chocolate cremoso. Adão e Eva não tinham nada “próximo” desse descontrole que temos.

Duas pessoas com força de vontade divina e controle das paixões e dos sentidos viviam com a mais perfeita tranqüilidade exterior e interior, não havia nenhum tipo de conflito pessoal, isto é, nem as tentações de que sofremos eles tinham!

Eles também não sentiam dor, não tinham sofrimento e havia a ausência da morte, isto é, quando lhes chegassem à hora simplesmente entrariam na vida eterna em corpo e alma, não passariam pela (separação) morte como a conhecemos.

Adão e Eva viviam em comunhão constante com Deus e estavam unidas suas almas. Deus os presenteou com dons das quais não conseguimos conceber em nossa mente humana.

A árvore... O que é a árvore?

Deus nos criou para que, com seu amor, lhe dessem glória e queria que eles (Adão e Eva) dessem seu amor por um “ato de livre escolha”. Amar é doar-se, a natureza do amor é a entrega de si ao amado e só se ama fazendo a vontade de seu amado, obedecendo-lhe. Não aquela obediência cega que entorpece, mas o amor que liberta. Amar com liberdade! O amor não acorrenta!

E, por isso, Deus lhe deu uma única ordem, para que eles pudessem livremente (por um ato de suas vontades) O amar. Deus criou a árvore para que Adão e Eva escolhessem LIVREMENTE Deus do que si mesmos.

Justamente o pecado original, original porque foi o primeiro, o que deu origem, não foi só um pecado de desobediência, foi pior que isso, foi um pecado de soberba (igual à Lúcifer), pois a serpente disse-lhes que se comessem deste fruto, seriam tão grandes quanto Deus, ou seja, eles queriam ser maiores que o próprio criador que os criou.

A escolha deles foi de uma forma “fatal”, pois com todos os dons que tinham mais toda a compreensão perfeita e suas vontades – sensibilidade e inteligência que atuavam de modo perfeito – foram capazes de negar Deus. Não é como nós que, quando pecamos, muitas vezes o fazemos por fraquezas, eles não tinham estas fraquezas! OU também quando pecamos por ignorância, eles não tinham um pingo de ignorância, pois usufruíam a mais perfeita e alta sabedoria.

Com o pecado deles, Adão que era o primeiro de todo o gênero humano perdeu esta graça para toda a natureza humana e por isso afirmamos que nascemos com o pecado original. Porém, essa herança é apenas uma carência da graça santificante de que deveria estar no seu lugar. É como se nascêssemos na escuridão no que se refere à vida sobrenatural e que com o batismo é restaurada.

Muitos podem até pensar agora, mas porque eu sofro por algo que não fiz? Se a culpa é de Adão o que eu tenho haver com isso?

Nós simplesmente não perdemos nada, pois estes dons de que eles usufruíam foi presente de Deus (dádivas), e não algo próprio da natureza humana. Seria como se nosso pai tivesse recusado uma grande oferta de trabalho na qual seríamos muito ricos. Nós não poderíamos acusar o rico pelo fato de nosso pai ter recusado o trabalho e de não ter ficado rico...

O amor é a força motriz do mundo, sem ele nós não somos nada. Deus nos amou tanto que criou um mundo perfeito e mesmo com a queda de Eva e Adão ele restaurou a vida na graça através de seu Filho, enviando-O porquê nos ama mais do que conseguimos sequer imaginar amar nesta vida.

Autor: Christiane Forcinito Ashlay Silva de Oliveira
Fonte: www.sociedadecatolica.com.br
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