segunda-feira, 4 de abril de 2011

Padres à paisana

Dois grupos de sacerdotes - Um usando batina, outro à paisana.
Qual dos dois inspira mais respeito?
Hoje estava lendo uma notícia de dois assaltantes que foram baleados por um policial à paisana durante um assalto a um posto de gasolina na PR 313, cidade de Maringá (1). O policial "à paisana" estava de folga mas, estando armado, agiu conforme sua profissão manda e acabou por evitar o assalto defendendo os cidadãos de bem que lá se encontrava.  Policiais Militares geralmente  trabalham em turno de 12 trabalhando/ 36 de descanso ou de 24 trabalhando / 48 de descanso, mas existem outras possibilidades.

O fato é que este policial, em seus momentos de folga, cuida de sua família, passeia, se diverte, enfim, faz o que quiser da sua vida, mas pode andar armado, pois um crime pode acontecer a qualquer momento, e ele possui o dever de agir nestes casos.

Tal notícia me levou a refletir sobre sacerdotes católicos que não usam batina, andam "à paisana" e as pessoas sequer desconfiam de que ele é um sacerdote, como se tivessem medo de sua vocação ou "não quisessem ser incomodados"

Neste artigo não quero entrar no mérito de que o Código de Direito Canônico que no cânone 284 obriga os sacerdotes a usar batina ou clergyman, queria apenas refletir ...

No episódio acima, se o policial estivesse a serviço (fardado) o tiroteio não teria acontecido, pois a simples presença de um indivíduo fardado já faz com que alguém de má intenção pense antes de agir. O mesmo acontece, por exemplo, quando alguém está com a intenção de cometer um pecado e vê algo que o faz lembrar de Deus (uma cruz, uma Bíblia, ou UM PADRE DE BATINA).

Um exemplo claro da "força" de uma batina está no vídeo deste padre abaixo, que pacificou uma "guerra civil". Nem manifestantes, nem policiais ousaram fazer algum mal a este. A pergunta é: e se o padre estivesse "à paisana" (camiseta, calça jeans e tênis) quem saberia que ele é um padre no meio da multidão, qual a garantia de que os policiais ali presentes não iriam agredi-lo como fizeram a tantos outros manifestantes?


Modernistas podem argumentar que, assim como o policial, o médico, o advogado tem seus dias de folga e seu horário de trabalho, o padre também, deve descansar, ter seus momentos de lazer, etc, mas para estes vale lembrar que o sacerdócio não é uma "simples profissão" como as outras. O policial, o médico, ou outras profissões podem deixar de sê-los (ser despedido, escolher outra profissão, se aposentar), já o sacerdócio é eterno, instituído não por concurso público, por curriculum ou por sabedoria humana adquirida através de estudo, mas pela presença do Espírito Santo. O sacerdote, quando ministra os sacramentos, não age por si próprio, mas "In Persona Cristi Capitis" (na pessoa de Cristo Cabeça) (Conf CIC §1548).

Um policial, como o citado no início, ao agir corre o risco de desempenhar de forma errada suas funções (errar o tiro, acerta um inocente, deixar o bandido fugir, etc), já um sacerdote quando ministra um sacramento "In Persona Cristi Capitis" NÃO ERRA, pode ser um padre que tenha acabado de cometer um pecado mortal, se ele está celebrando o Sacrifício da Missa, temos a CERTEZA de que Cristo está presente nas aparências de pão e de vinho. Quando um sacerdote coloca a mão sobre tua cabeça e te perdoa os pecados, PODEMOS TER A CERTEZA de que Deus está nos perdoando, portanto, comparar o sacerdócio a alguma profissão é um absurdo sem tamanho, que beira o ridículo de tão incomparável.
"Padre que não usa batina é como homem casado que não usa aliança."
Fica aqui uma pequena reflexão, de um católico indignado de ver padres disfarçados de agente secretos, no meio de pessoas que as vezes o procuram em busca de luz, mas não conseguem localizá-los.

Autor: Everton do N. Siqueira

(1) Conferir a notícia no site: http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-3--910-20110324&tit=dois+sao+baleados+durante+assalto+a+posto+da+regiao


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