domingo, 1 de abril de 2012

1º de Abril - Dia da Mentira

Que vantagem têm os mentirosos?A de não serem acreditados quando dizem a verdade (Aristóteles)


Hoje, 1º de Abril, é comum que algumas pessoas comemorem o Dia da Mentira. A origem da data é um pouco controversa e como esse site não se destina a fazer explicações históricas, vou abster-me de comentar sobre isso e ir direto ao que nos interessa, enquanto cristãos.

Definição de mentira:
São Tomás de Aquino, define  que "mentira é palavra, ou sinal por que se dá a entender alguma coisa diferente daquilo que se pensa; e com a intenção de enganar. (Suma Teológica, II-II, q. 110)

As Sagradas Escrituras não deixam dúvidas ao afirmar que Satanás é o pai da mentira (Conf Jo 8,44), ao mesmo tempo em que nos ensina que Cristo é o Caminho, a Verdade e Vida (Jo 14,6).

O Catecismo da Igreja é claro ao explicar que a mentira é condenável em sua própria natureza, o que faz com que ela seja, EM SI MESMA, ilícita (CIC 2485)Resumindo: Jamais é lícito mentir, é SEMPRE pecado.

Classificação dos diferentes tipos de mentira:

O Catecismo de São Pio X distingue três formas de mentira: jocosa, oficiosa e nociva.

Se eu digo, por exemplo "comprei um carro novo", geralmente essa mentira não causa prejuízo a ninguém, a pessoa que ouve minhas palavras simplesmente vai acreditar que "comprei um carro novo", o que faz com que essa mentira seja considerada como "mentira jocosa" (sem prejuízo a ninguém, apenas por graça) - Geralmente as piadinhas de 1º de abril se encaixam nesta categoria. Esse tipo de mentira, é pecado venial, como indica o CSPX.

Um segundo tipo de mentira, chamada oficiosa, também classificada pelo Catecismo de São Pio X como pecado venial, consiste em mentir para tirar proveito próprio ou alheio, sem causar prejuízo a outrem. Um exemplo disso seria aquela pessoa que mente para o Guarda de Trânsito que passou o sinal vermelho porque estava com uma pessoa doente no carro e precisava urgentemente levá-lo na UTI. Tal mentira é feita para proveito próprio (tentar se livrar da multa, através de uma possível compaixão do guarda). Ainda que não atinja os resultados desejados, ou seja, ainda que o guarda aplique a multa devida, a mentira é considerada oficiosa.

Já, o terceiro tipo, a mentira nociva, consiste em mentir para prejudicar alguém. Se eu digo que meu produto vale R$ 50,00, quando na verdade vale R$ 20,00, estou prejudicando o comprador financeiramente. Esse tipo de mentira, o Catecismo de São Pio X lista como pecado mortal, quando o prejuízo causado é grave.

Na prática, parece difícil distinguir entre um tipo de mentira ou outro, o exemplo do Guarda de Trânsito, citado como mentira oficiosa, pode também ser considerada nociva, pois aquela multa não arrecadada pode prejudicar o Estado, ou o exemplo do produto de $20,00, citado como mentira nociva, pode também ser uma mentira oficiosa, já que o vendedor acabou por lucrar R$ 30,00 de forma desonesta (acrescenta-se também o pecado de roubo, mas essa questão fica para outro artigo). Até mesmo a mentira jocosa pode-se tornar uma mentira nociva. Pegando o exemplo do "comprei um carro novo", imagina que alguém ouve as palavras, acredita e um dia corre até sua casa aos prantos de madrugada pedindo para levar sua mãe ao Pronto Socorro neste "carro novo".

Como bom cristãos, devemos evitar SEMPRE a mentira, por menor que ela seja.

Nem tudo que reluz é ouro ...
Nem tudo que aparenta ser mentira é, de fato, uma mentira.

A mentira é intrinsecamente má e deve ser evitada sempre, porém há de se entender que algumas coisas, ainda que pareçam mentiras, podem não ser. Se eu digo, durante uma roda de conversas, em tom de deboche que "no meu sítio os bois são tão grandes que pesam mais que elefantes", obviamente que NINGUÉM EM SÃ CONSCIÊNCIA vai acreditar nisso, não sendo configurada, nesta afirmação, NEM MESMO uma mentira jocosa. A situação muda, por exemplo, se estou falando com crianças ou pessoas que, por falta de cultura ou discernimento, PODEM ACREDITAR nessa afirmação.

Uma explicação detalhada sobre essa questão pode ser encontrada no livro A Fé Explicada, de autoria de Leo Trese, da Editora Quadrante.

Omissão e pecado

Outro ponto que convém lembrar é o fato de que não somos obrigados a dizer tudo o que pensamos, ainda mais quando a pessoa não tem o direito de saber. (Conf CSPX nº 462)

Um exemplo disso é quando uma pessoa qualquer nos pergunta: "Onde você estava ontem a noite?", nestes casos é lícito ocultar a resposta, dizendo: "por aí", "estava em algum lugar", ou qualquer coisa semelhante. Óbvio que, abusando-se disso torna-se pecado, se eu digo "Estava passeando no parque perto do Morumbi e fiquei preso no trânsito" não sendo verdade, torna-se claramente uma mentira oficiosa (ou talvez nociva). Resta-nos pedir a Deus o discernimento para saber agir nestes casos.

Considerações finais:

Tendo isso explicado, fica a questão que devemos refletir: Seria lícito a um cristão católico aderir a essa "moda" e propagar coisas que não condizem à verdade, ainda que somente por um dia?

Autor: Everton do N. Siqueira
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