terça-feira, 24 de novembro de 2015

Everton e Letícia, a história de um casal

Algumas pessoas, principalmente aquelas que nos conhecem apenas pela internet, costumam me perguntar "Como vocês se conheceram?". Espero que esse texto seja a resposta.

Primeiras fotos tiradas junto
Antes de conhecê-la, li um livro, do qual uma frase me marcou bastante: "Essa é a minha história, no início vão sorrir, e depois vão chorar - não digam que não vos avisei".

Primeiras fotos tiradas juntos
Ao ler, fiquei imaginando se algum dia encontraria um amor como aquele. Acho que encontrei, já que a minha história com Letícia se assemelha bastante – e, não sei quanto a vocês, mas estou realmente sorrindo e sei que ao digitar o restante do texto estarei chorando.
(O nome do livro citarei no decorrer do texto e tenho certeza de que muitos saberão e entenderão a comparação).

O início

Dizer precisamente quando a conheci, a data, o horário, ou qual foi nossa primeira conversa é impossível, pois trabalhávamos em locais diferentes, mas no mesmo setor. O fato é que ela já trabalhava há anos e eu era novato, tinha começado há alguns dias, ou algumas semanas talvez.

Tão logo comecei a trabalhar, em agosto de 2006, houve um curso de capacitação, ela era uma das que ensinavam, palestrando à frente da sala, e eu era um dos que aprendiam, ou fingia aprender, sentado exatamente na última fileira, a "fileira da bagunça". Lembro-me de que não uma, mas várias vezes ela até me olhou feio, por atrapalhar o curso.


Como trabalhávamos no mesmo setor, quase todos os dias eu passava no local de trabalho dela, por obrigação, para resolver assuntos profissionais e, como a sala dela ficava logo em frente à recepção, eu a via todos os dias. Não, eu não sentia nada (ainda), e não a conhecia. Sabia apenas seu nome porque, às vezes, resolvia assuntos profissionais por telefone com ela, e também pela sua parte no curso. Mas, algo me chamou atenção desde o início: o tom de voz, sua calma ao falar, sua paciência em tentar sempre ajudar da melhor forma possível. Aos poucos, vendo-a todos os dias, eu chegava em casa e ficava apenas imaginando "Como seria aquela pessoa? O que ela faz? Como pode existir alguém tão calma, serena e delicada? Aliás, como é bonita...".

Eu nunca fui bom com as mulheres - levar “foras” e ser descartado eram como o ar que eu respirava. Obviamente não gostava disso, mas hoje agradeço todos os dias a Deus por cada "não" que recebi, cada fora que levei e até por cada humilhação que passei, pois foram necessários para que eu encontrasse o meu grande amor.

Se eu simplesmente tentasse conversar com ela, seria ignorado, levaria um fora, poderia até ser humilhado. Seria mais um fora na minha imensa lista. Não queria isso. Ela não parecia ser apenas "uma qualquer", daquelas que a gente tenta, não deu certo, pula para a próxima. Desde o tom de voz, até a beleza que ela tinha em sua simplicidade, tudo me chamava realmente a atenção e me fez decidir a tentar algo diferente - algo que pelo menos me desse a chance de mostrar quem eu era.

Poderia até ser recusado, levar um fora, mas pelo menos conversar com ela eu precisava. Queria ao menos saber melhor quem era aquela pessoa...

As cartas

Certo dia, mais exatamente no dia 04 de dezembro de 2006, segunda-feira, resolvi usar do meu horário de almoço pra passar em uma floricultura e pedi pra entregarem um botão de rosa junto com um bilhete enigmático e anônimo. Tratava-se de uma frase incompleta, que escrevi na intenção de que ela apenas soubesse da existência de um admirador.

Durante mais três dias, repeti o gesto: no período da tarde ela recebia um botão de rosa e um bilhete anônimo, que sempre terminava com reticências. Dias 05, 06 e 07 de dezembro, os bilhetes se completavam em uma única frase, que só terminaria na sexta-feira, dia 08. Acredito eu que, neste intervalo, alguma desconfiança ela já tivesse, pois, ao final do dia, eu sempre passava lá só para vê-la. Ficava de longe observando ela sair levando consigo um botão de rosa. Não sei como, nem por que, mas ali já nascia um sentimento. Eu ficava a tarde toda só imaginando o sorriso dela ao receber uma "flor anônima". Só essa imaginação me fazia sorrir sozinho, me fazia feliz.

Sexta-feira, 08 de dezembro, resolvi terminar o mistério passando cedo na floricultura e enviando com o bilhete (desta vez assinado) não um botão, mas um buquê de flores, as mais lindas que encontrei... Não me recordo exatamente como combinamos, mas sei que aquele dia tomamos um milk-shake juntos e eu pude tocar suas mãos pela primeira vez.

Ela

Naquela conversa breve que tivemos, pude saber um pouco sobre ela. Menina calma, meiga e quieta, morava com os pais e tocava junto com eles em um Grupo de Oração na Igreja Católica. - Marcamos então para 12 de dezembro, terça-feira, um encontro no cinema assistir o filme "O Diabo Veste Prada". Nunca tinha ido ao cinema (só quando criança), pois havia dentro de mim um desejo de ir pela primeira vez não com amigos, ou com uma "qualquer", mas com alguém especial. Então, acho que acertei, pois é ela a pessoa com quem vivo até hoje e viverei até que a morte nos separe.

Minha conversão

Eu nunca fui "chegado" em religião, fui batizado na Igreja Católica quando criança, mas nunca fiz catequese; até assistia Missa de vez em quando, mas não gostava, achava chato demais. Graças a Deus nunca frequentei outra religião. Cheguei até a receber visita de protestantes e de Mórmons, mas, na hora de ir, eu ficava com preguiça mesmo e pouco me importava.

Ela me disse que o Grupo de Oração era na segunda-feira, e minha vontade era de ir, só pra vê-la - mas daí veio aquela história que sempre ouvimos de "parecer grude, desesperado,etc" e acabei não indo. Na terça-feira, quando a encontrei, a primeira coisa que ela perguntou foi "Por que não foi ontem no Grupo de Oração?", como se já estivesse esperando pra me ver, mesmo sem ter me convidado. Como se nela também existissem saudades.

Vou ser sincero e afirmar: sim, eu comecei a ir à Missa pra ver a Letícia. Sabia, obviamente, que o certo era ir por causa de Deus, pois ali é a casa Dele, Ele deveria ser o centro, etc. Ela sabia que eu estava indo à Missa por causa dela, mas tinha paciência, afinal, a conversão não acontece de um dia pro outro. E, mesmo não gostando, eu NUNCA RECLAMEI, nunca resmunguei, murmurei ou blasfemei, e talvez por isso ela tenha me suportado e aturado minha incredulidade por algum tempo - embora sempre estivesse me incentivando a rezar, a participar e a aprender mais sobre nossa fé.

Aos poucos ela foi me ensinando as coisas de Deus, desde as mais básicas "Quem é Deus?", "Como se reza um terço" até questões mais complexas. Eu era como um cego aprendendo a enxergar, perguntando tudo, com a curiosidade no máximo, perguntando detalhes que às vezes ela não sabia. Às vezes, eu ia procurar com ela na internet, em sites que eu já sabiam serem confiáveis (Veritatis, Cleofas, etc). Uma comunidade do Orkut chamada "Católicos" também me ajudou bastante. Ali aprendi coisas que eu jamais aprenderia em outros lugares.

Fiz também a catequese, e ela, já crismada, assistia a catequese junto comigo pra me incentivar e depois da catequese conversávamos sobre a fé, e eu ia me apaixonando cada dia mais por ela, mas principalmente pela Nossa Igreja.

Não diga que não vos avisei

Neste momento, alguns talvez percebam a semelhança com o livro/filme "Um Amor para Recordar"/ "A Walk to Remember", em que Landon Carter, o sujeito bagunceiro, se apaixona por Jamie, a mocinha religiosa e toda certinha que vivia para agradar a Deus. Não sei quanto a vocês, mas as lágrimas realmente correm em meu rosto enquanto termino esse texto.

Após o primeiro mês de namoro, fiz um slide de powerpoint de presente a ela sobre nosso "primeiro mês juntos", com os detalhes, as datas e tudo o que fizemos nesse nosso "início de namoro". Até hoje ela o tem guardado e com certeza ainda me emociono ao vê-lo.


Se eu fosse narrar aqui detalhes de toda a nossa caminhada, com certeza ninguém leria até o fim, então os pouparei a partir de então. Após cinco anos de namoro nós nos casamos e estamos juntos até hoje, eternos namorados. Juntos, realizamos nossos sonhos como nossa moto, nossa casa... e agora aguardamos ansiosos, com muito amor, os futuros filhos que Deus nos enviará quando for a vontade Dele.
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